Os leitores que tem acompanhado o projeto do veleiro Cruiser 135 devem estar ansiosos por mais detalhes do projeto. Bom, já terminei os cálculos de estabilidade, cujos resultados apresento abaixo, defini algumas opções de plano vélico (a idéia é oferecer 2 ou 3 opções de plano vélico, incluindo os desenhos para a fabricação das velas), e projeto da bolina e leme. O desenho das peças que será incluído no projeto também está bem adiantado, faltando o detalhamento de alguns itens do interior do barco, bem como reforços estruturais e caixa de bolina. Veja abaixo um pouco mais sobre como anda o projeto, que provavelmente, pelo resultado das pesquisas, terá o nome de “Pequeno Príncipe”.
Estabilidade estática
O gráfico ao lado mostra o braço de restituição para ângulos de adernamento de 0 a 180 graus. Que informações este gráfico nos dá a respeito da estabilidade do Cruiser? Em primeiro lugar, vemos que o barco tem estabilidade positiva até um ângulo de quase 120 graus, ou seja, até este ângulo, o barco retorna à posição vertical por conta própria. Além disso, comparando as áreas formadas pela curva acima e abaixo do eixo de GZ=0, vemos que a energia necessária para virar o barco (área da curva positiva) é bem maior que a energia para desvirá-lo, ou seja, em condições de mar capazes de provocar uma capotagem, o barco provavelmente retornará a posição correta por conta própria em pouco tempo.
Além disso, a inclinação do gráfico até 30 graus indica uma grande estabilidade inicial, que permite carregar mais área vélica ou suportar ventos fortes sem necessitar rizar as velas. A vantagem é óbvia: mais vento=mais velocidade.
Plano Vélico

armação carangueja (gaff rig), maior área vélica, centro de esforço lateral mais baixo
O Veleiro Cruiser 135, que já está sendo batizado de Pequeno Príncipe pelos leitores do site, poderá ser construído com várias opções de plano vélico. Optou-se pela vela carangueja (gaff rig), que tem como vantagens a grande área vélica em relação a altura do centro de esforço lateral da vela, baixo custo de contrução e a facilidade de armazenar e transportar, já que não será necessário retirar o mastro para guardar ou rebocar o barco, pois este é basculante, montado em um tabernáculo, e seu comprimento não ultrapassa o tamanho da carreta.
Duas opções de armação Sloop são oferecidas: uma com maior área vélica (11 m2) na vela grande e na genoa (com gurupés), mas com centro de esforço mais baixo. A segunda versão tem menor área vélica (9,3m2), melhor desempenho no contravento, mas o centro de esforço das velas está na mesma posição longitudinalmente, e você pode optar por qualquer uma delas sem precisar modificar a posição da caixa de bolina.
Outra opção é a armação Catboat, muito popular fora do Brasil, em especial nos EUA. Uma única vela carangueja é armada num mastro montado quase na proa. Vantagens óbvias: cabine sem obstrução do mastro e simplicidade para armar e velejar.

armação carangueja (gaff rig)

armação catboat (gaff rig)