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Cruiser 135: Primeiros desenhos do casco Março 7, 2009

Posted by casalfeliz in Uncategorized.
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Estou elaborando os primeiros desenhos do Cruiser 135, um veleiro destinado ao construtor artesanal e velejador de primeira viagem. A pesquisa ainda está sendo coletada, se você quer dar sua opinião, clique no link abaixo:

Clique aqui para participar!

Sua participação é importante porque muitas das características do veleiro serão desenvolvidas em função das necessidades dos seus cliente potenciais. Por exemplo, você quer um veleiro com espaço e acomodações para pernoite? Quantos dias? Precisa ter WC químico? Cozinha? Vai ser guardado no seco, rebocado para casa ou ficará numa marina ou num trapiche? Velejado em rios e lagoas ou no mar?

layout_cruiser_135_lateral

vista lateral em corte

A partir da proposta inicial apresentada nos artigos anteriores, e dos resultados parciais da pesquisa feita com os leitores, desenvolvi os primeiros esboços e plano de linhas, e defini as caracterísiticas básicas do pequeno veleiro.

Em primeiro lugar, mudou bastante o desenho do casco e o layout interno. Os esboços mostrados nos artigos anteriores (partes 1 e 2) apresentam dois beliches, com bolinas basculantes sob cada um, para eliminar uma caixa de bolina no meio do salão. Entretanto, devido à pequena boca, e ao pé direito limitado devido ao tamanho do veleiro, optei por eliminar beliches e deixar o piso da cabine sem qualquer saliência ou obstrução. Assim, os tripulantes podem se sentar ou deitar livremente no piso. A caixa de bolina volta à posição central, para deixar espaço generoso para pernoite (dois metros de comprimento e 80cm de largura na parte mais larga). Lembrem-se, não dá para fazer milagres com uma cabine de 2m, e não se pode simplesmente fazer uma cabine de um 24 pés em miniatura, já que os tripulantes não podem ser encolhidos.

Quanto à cozinha, WC químico e caixa de gelo, ficam todos escamoteados sob o cockpit e nos armários laterais. O fogão pode ser um destes de camping, que fica de pé no armário, e se apóia sobre uma mesa basculante, e caixa de gelo e WC correm de compartimentos sob os bancos do cockpit para dentro da cabine. Os colchões são segmentados, e a parte que fica junto à antepara pode ser retirada e apoiada no costado para servir de encosto, quando os tripulantes estiverem sentados.
Vantagens: mais espaço para deitar e se mexer, pé direito baixo mas que permite sentar sem bater a cabeça no teto, menor complexidade, menor número de peças, menor custo, mais praticidade.

plano_de_linhas_cruiser_135

plano de linhas do Cruiser 135

Quanto ao desenho do casco, optei por um casco de planeio, com popa larga, claramente esportivo. Por quê? Ora, quanto menor o comprimento na linha d’água, menor a velocidade máxima do casco (em deslocamento). Num barco deste LOA, a velocidade do casco fica por volta dos 5 nós, independentemente dos ventos. Porém, com um casco de deslocamento esta velocidade pode ser grandemente ampliada, como ocorre com os daysailers e barcos de regata. Além disso, um cockpit largo devido ao desenho da popa, oferece mais espaço para tripulantes e para armazenar motor de popa, velas, mantimentos, etc.

O comprimento, de 4,2m, foi escolhido porque permite montar as placas laterais do casco com apenas uma emenda (compensado naval vem em chapas de 2,2m x 1,6m), reduzindo tempo de construção e desperdíio de material. Aliás, tudo neste barco foi pensado para oferecer menor custo e maior simplicidade sem prejuízo do desempenho, diversão, segurança e praticidade. É claro que concessões tiveram que ser feitas no que se refere a conforto, pelos próprios limites de espaço definidos pelas dimensões. Porém, como se verá, a praticidade e versatilidade deste projeto mais do que compensam suas limitações.

plano_velico_cruiser_135

esboço do plano vélico do Cruiser 135

Quanto ao plano vélico, notem a semelhança da armação “gunter rig” com a armação “marconi” (sloop). Esta armação reúne as vantagens da marconi na orça fechada com o menor custo da armação carangueja (“gaff rig”, pouco conhecida no Brasil). Por dispensar trilhos, cruzetas, e uma série de equipamentos e assessórios caros, o “gaff rig” é muito atraente. Você pode fazer as velas em casa, assim como mastro, retranca e verga. Por este mesmo motivo optei por um perfil clássico, apesar do casco ter um desenho moderno.

Quanto ao método construtivo, estou ainda decidindo entre “stitch-and-glue” (costure e cole) e algo semelhante ao Sztrandék, sem cavernas, com as placas do casco fixas sobre longarinas apenas. O primeiro tem a vantagem de ser mais rápido e fácil de montar o casco, mas exige mais tempo fibrando o casco, fazendo as emendas, e depois lixando tudo. O método de casco sobre longarinas sem cavernas dá mais trabalho, já que exige anteparas temporárias para posicionar as longarinas, mas dispensa a fibragem no casco todo. Basta selar com epóxi, dentro e fora. A fibra pode ser aplicada na parte submersa para aumentar a resistência e evitar a infiltração de água após algum choque no casco. Este método também me parece ter um custo menor, já que a resina epóxi é cara.

Vocês estão convidados a dar sua opinião sobre esta proposta. Qual método construtivo vocês preferem? E quanto ao layout do Cruiser, qual a opinião de vocês?

Próxima parte: os números do Cruiser 135

Comentários»

1. bogaz - Julho 5, 2009

Ola

Estou procurando o manual em portugues do programa freeshiping ou delfthshiping, se teria para vender??

2. Ciro - Março 7, 2009

Gustavo, excelentes as considerações a respeito da vela ser construida em casa, e sobre apenas uma emenda no casco. Gostaria de te perguntar, porque não levar o teto da cabine até a proa? e quanto vc calculou a boca máxima do casco?

casalfeliz - Março 8, 2009

A princípio, a boca deverá oscilar entre 1,80 e 1,90m. A opção por um casco de planeio convida a exagerar nesta medida para ter mais desempenho e estabilidade de desenho, mas muita estabilidade de desenho prejudica a segurança em mar aberto, já que um barco muito estável é estável também capotado. O teto da cabine pode ir até a proa sim, vou aproveitar sua idéia e fazer um desenho alternativo com cabine estendida.
Gustavo