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Veleiro Cruiser 135: o Pequeno Príncipe dos mares está na reta final Outubro 13, 2009

Posted by casalfeliz in compensado naval, construção artesanal, cruiser 135, vela, veleiro.
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Os leitores que tem acompanhado o projeto do veleiro Cruiser 135 devem estar ansiosos por mais detalhes do projeto. Bom, já terminei os cálculos de estabilidade, cujos resultados apresento abaixo, defini algumas opções de plano vélico (a idéia é oferecer 2 ou 3 opções de plano vélico, incluindo os desenhos para a fabricação das velas), e projeto da bolina e leme. O desenho das peças que será incluído no projeto também está bem adiantado, faltando o detalhamento de alguns itens do interior do barco, bem como reforços estruturais e caixa de bolina. Veja abaixo um pouco mais sobre como anda o projeto, que provavelmente, pelo resultado das pesquisas, terá o nome de “Pequeno Príncipe”.

Estabilidade estática

righting-arm-webO gráfico ao lado mostra o braço de restituição para ângulos de adernamento de 0 a 180 graus. Que informações este gráfico nos dá a respeito da estabilidade do Cruiser? Em primeiro lugar, vemos que o barco tem estabilidade positiva até um ângulo de quase 120 graus, ou seja, até este ângulo, o barco retorna à posição vertical por conta própria. Além disso, comparando as áreas formadas pela curva acima e abaixo do eixo de GZ=0, vemos que a energia necessária para virar o barco (área da curva positiva) é bem maior que a energia para desvirá-lo, ou seja, em condições de mar capazes de provocar uma capotagem, o barco provavelmente retornará a posição correta por conta própria em pouco tempo.

Além disso, a inclinação do gráfico até 30 graus indica uma grande estabilidade inicial, que permite carregar mais área vélica ou suportar ventos fortes sem necessitar rizar as velas. A vantagem é óbvia: mais vento=mais velocidade.

Plano Vélico

cruiser135-sailplan-gaff

armação carangueja (gaff rig), maior área vélica, centro de esforço lateral mais baixo

O Veleiro Cruiser 135, que já está sendo batizado de Pequeno Príncipe pelos leitores do site, poderá ser construído com várias opções de plano vélico. Optou-se pela vela carangueja (gaff rig), que tem como vantagens a grande área vélica em relação a altura do centro de esforço lateral da vela, baixo custo de contrução e a facilidade de armazenar e transportar, já que não será necessário retirar o mastro para guardar ou rebocar o barco,  pois este é basculante, montado em um tabernáculo, e seu comprimento não ultrapassa o tamanho da carreta.

Duas opções de armação Sloop são oferecidas: uma com maior área vélica (11 m2) na vela grande e na genoa (com gurupés), mas com centro de esforço mais baixo. A segunda versão tem menor área vélica (9,3m2), melhor desempenho no contravento, mas o centro de esforço das velas está na mesma posição longitudinalmente, e você pode optar por qualquer uma delas sem precisar modificar a posição da caixa de bolina.

Outra opção é a armação Catboat, muito popular fora do Brasil, em especial nos EUA. Uma única vela carangueja é armada num mastro montado quase na proa. Vantagens óbvias: cabine sem obstrução do mastro e simplicidade para armar e velejar.

cruiser135gaff2

armação carangueja (gaff rig)

cruiser135cat

armação catboat (gaff rig)

Comentários»

1. GILBERTO SILVEIRA - Outubro 20, 2009

CERTO DIA EU ESTAVA IMAGINANDO UMA SITUAÇÃO QUE CASO ACONTECESSE EU VELEJANDO SOZINHO O PEQUENO PRÍNCIPE 135, E AÍ ELE,VIRAR, CAPOTAR, QUAL SERIA A TÉCNICA PARA DESVIRAR O VELEIRO, AÍ VEIO A RESPOSTA DO SR. GUSTAVO, TRAZENDO NATURALMENTE ESSE GRANDE RECURSO DE SEGURANÇA E SALVAMENTO PARA TODOS NÓS QUE DESEJA CONSTRUIR O VELEIRO, POR SI MESMO O VELEIRO VOLTA A POSIÇÃO NORMAL DE VELEJAR, BASTA TERMOS CALMA E ESPERAR DESVIRAR SOZINHO. EU ACHEI EXTRAORDINÁRIO, FANTÁSTICO ESSE RECURSO QUE O CRUISER 135 OFERECE PARA TODOS NÓS ! VALEU, OBRIGADO ! GILBERTO SILVEIRA, THE, 20/10/2009.

Gustavo - Outubro 20, 2009

Este recurso é comum em veleiros de oceano, em geral bem maiores que o cuiser. Isso pode ser conseguido com bastante lastro e/ou muita flutuação quando o barco está invertido, por isso o Cruiser tem a cabine larga e alta. É claro que com tal estabilidade, seria muito difícil o barco chegar a capotar, teríamos que ter grandes ondas e fortes ventos, uma tempestade das boas em mar aberto. Visualmente ele pode ser um pouco estranho, mas segurança está acima de estética quando o assunto é estabilidade. Mas eu gosto do desenho do Cruiser. E vocês, que acham da “cara” dele?
Gustavo

2. gustavo - Outubro 14, 2009

Olá Gustavo,
Estou ansioso para o fim do projeto e acompanhando seu blog há meses. Procuro por blogs parecidos há tempos, poderia citar alguns para que eu pudesse acompanhar também?

casalfeliz - Outubro 14, 2009

Infelizmente, apesar de ter pesquisado muito na internet, há pouca coisa em português sobre veleiros, a não ser, é claro, o site do Cabinho, que é dedicado aos seus projetos. São poucos os brasileiros que compartilham suas experiências em blogs, e eu já ofereci espaço aqui para que construtores artesanais mostrem seu trabalho, mas até agora, das centenas de pessoas que adquiriram projetos através deste site, poucos enviaram material sobre os barcos que constroem. Há, dentre os comentários de leitores, algumas sugestões, dê uma procurada nas páginas.
Gustavo