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Super 7

Lotus Super 7: o conceito

Há quem sonhe com carros, e passe toda a sua vida guardando dinheiro ou pagando financiamento para comprar um carro de sonhos. Ou algo parecido. O problema é esse “parecido”, que acaba sendo um desses ridículos carros 1.0, que custam 30 mil reais. Mas, enfim, há gosto para tudo, e quando digo que meu carro de sonho é um Maverick, me tomam por doido. Dizem: mas você tem que ser dono de posto para ter um! Apesar de que com os 30 mil do carro zero posso comprar um maveco e ainda me sobram uns 20 mil reais de troco para gastar em gasolina…

Já tive um Maverick Super, 6 cilindros, lindo, pesado e lento, que batia pino sempre que eu acelerava em terceira. Mas era um belo carro, muito estável, espaçoso e divertido. Mas desde uns 15, 16 anos que sou fã de um carro muito particular e interessante, o Lotus Super 7. Colin Chapman projetou este carro com a seguinte idéia na cabeça: o que faz um esportivo andar? Uma boa relação peso-potência (aceleração), uma suspensão com massa não suspensa reduzida (mantendo a roda colada no asfalto), uma elevada frequencia natural das molas (menor rolamento), um chassi rígido (estabilidade) e uma distribuição de peso que deixa o carro levemente sobresterçante e, é lógico, tração traseira. Como os esportivos tradicionais resolviam esta questão? Com motores de 6, 8, 10 ou 12 cilintros, turbinados ou muito preparados, materiais leves na suspensão e na carroceria (alumínio, ligas de magnésio, compósitos). Tudo isso junto produz um esportivo de sonhos, com um preço que é um pesadelo.

Como Colin Chapman resolveu estas variáveis e ainda conseguiu produzir um carro muito acessível e de baixo custo de manutenção? Simples, partiu de um motor de carro popular, assim como a transmissão e os pneus. Ora, como obter uma boa relação peso-potência com um motor fraco? Simples, reduzindo peso. Para tanto utilizou, ao invés de um chassi de longarinas ou carroceria monobloco, uma estrutura tipo “space frame” de aço, reforçada com chapas de alumínio “stressed panels”. O carro, originalmente, pesava míseros 450 kg. Por ser leve e baixo, o carro possui excelente estabilidade e agilidade, e qualquer motor de 80 Cv o transforma num bólido.

Quer um exemplo da monstruosa agilidade deste carro? Olha só este vídeo então:

Locost: o Lotus “feito em casa”

O Lotus Super 7 é produzido até hoje pela Caterham, na Inglaterra. Mas desde os anos 80 que uma multidão de fãs do 7 constroem suas próprias versões do bólido inglês em casa, a partir de projetos fornecidos num livro de Ron Champion, um projeto conhecido como “locost“, cuja pronúncia lembra “lotus”, mas que significa “baixo custo”. Tendo sonhado em contruir um desses desde meus 15 ou 16 anos, quando li uma reportagem sobre ele não sei em que revista, foi apenas recentemente que me surgiu a motivação e a possibilidade de fazê-lo. Comecei a pensar no projeto ao final da faculdade de design, e já tendo iniciado o desenho do chassi, soube, a partir de uma dica de um ex-aluno de um professor da engenharia mecânica da UFSC, Lauro Nicolazzi, da existência do Locost.

A partir daí, foi um pulo para desenhar um chassi e iniciar o projeto. Nas subpáginas ao lado vou apresentar o processo de projeto e contrução do carro, à medida que ele vai tomando forma. Por naturais dificuldades de tempo e dinheiro, a construção do carro anda a passos lentos. Mesmo assim, estou otimista porque aproveitei para fazer muitas pesquisas e resolver uma porção de detalhes do projeto, que explicarei quando apresentar o conceito deste projeto, que não é uma cópia do Locost. Trata-se de uma réplica original, mais fiel, em termos de dimensões, ao original, e adaptado ao uso de peças de transmissão, mangas de eixo dianteiro e sistema de direção do Chevette.

Convido vocês, então, a acompanhar a construção do meu Super 7. Sintam-se à vontade para comentar abaixo, especialmente se forem construtores de Locosts do Brasil e da América Latina (eles existem).

Comentários»

1. Luiz A. S. Souza - Julho 29, 2009

Ola Gustavo
Parabens pelo seu blog, esta sendo muito legal.
Compartilho com voce a opinião entre o 1.0 e o Maverickl.
Estou me preparando para construir um LOCOST tão logo me aposente.Adquiri uma copia do livro do Ron Champion no Mecado Livre e estou estudando o projeto.
Estou pensando em usar um chevette como doador e suas dicas e o seu projeto sera muito util.
Boa sorte na sua construção.

2. Eduardo Leal - Julho 27, 2009

Olá Gustavo.

Parabéns pelo projeto e pelo blog.

Estou começando a construção de um carro de baixo custo feito em casa. Estou projetando-o eu mesmo. Um pouco pretensioso, mas muito divertido.

Este ano, já aos 62 anos consegui passar dois dias dirigindo um Caterham. Um dia em Brands Hatch e outro em Donington Park. Muitíssimo bom. Os filhos ex-kartistas adoraram.

Veja meu blog: http://musakcc.blogspot.com. Comente à vontade.

Abraço e sucesso

3. André Dantas - Maio 31, 2009

Olá Gustavo,

Primeiramente, parabéns pelo seu blog!
Muito informativo!

Como todos aqui, sou mais um apaixonado pelo 7. Desde que vi alguns (5) em um encontro de carros antigos quando morei na Alemanha. Pesquisei muito, achei o livro do Ron, e estou super animado em construir o meu.

O que me falta é espaco, afinal moro em um edifício. Além disso, estou me formando em Eng Eletrônica este semestre, e ainda nao sei qual/onde será meu futuro. Mas, desde cedo já estou reunindo informacoes sobre a construcao de um Locost.

Minha idéia também era de usar um Chevette como doador. Vou acompanhar seu blog. Seria bom montarmos uma lista de discusoes, ou forum, dos locosts brasucas! Afinal, nao vejo muitos por ai, e é meio difícil reunir todos.

Abracos,
André

casalfeliz - Junho 2, 2009

André, a idéia do Fórum é boa. Há um fórum no Yahoogroups, de nome Locost Mercosur e outro Locost SP, com pouca atividade. Quem sabe você não se associa e começa a agitar as coisas? Ou podemos criar outro, mais no estilo Fórum, mesmo, para todo mundo deixar comentários e trocar idéias. Vamos pensar nisso.
Gustavo

4. eulen mesquita - Março 20, 2009

Gustavo é mesmo uma pena que você tenha adiado seu sonho. Eu estou começando a me preparar para inicar a construção do meu, mas ainda tem muita coisa pela frente, primeiro a aquisição das ferramentas. Sem muita pressa, afinal é um projeto de longo prazo.
Voce teria algum material mais detalhado? Não estou conseguindo compreender muito bem as medidas naquele PDF do chassis.
Seria mais fácil se tivesse uma lista tipo:

20 peças de XXcm
30 pc de XXcm
5 pc de XXcm
Como seu projeto já começou direcionado a aproveitar o eixo traseiro do chevette, seria de muito proveito. Será que voce poderia me dar as informações para copiar seu chassis?
Quanto a motores acho que temos uma gama imensa para adaptações. Isso pode ser definido depois. A título de curiosidade já tive um chevette com motor 4cc de opala, era muito divertido
Os únicos tubos que vejo aqui na minha cidade são chamados de “metalon”, sao tubos de ferro quadrados medindo 20×20mm, nunca vi maiores por aqui. Seriam esses?

casalfeliz - Junho 2, 2009

Não se fixem na lista de materiais, usem os desenhos do chassi para fazer um gabarito de madeira sobre compensado, e vão cortando a medida que vão montando, é mais fácil e dá menos problemas.
Gustavo

5. eulen mesquita - Março 19, 2009

Ola Gustavo. Gostei muito do seu blog. Mecheu com dois dos meus sonhos antigos, um deles construir um barco. O outro também é construtir um carro.
Como anda seu projeto do locost? Penso que o chevette seria um bom doador por conta do conjunto motor e câmbio, se estivermos visando uma preparação aspirada, o direrencial mais curto seria até bem vindo, levando em consideração que os regimes de giro se elevam. Mas enfim, não seria tão dificil adpatar um de Opala, já vi muitos chepalas com esse tipo de adaptação.
Aquele PDF com os desenhos do chassi servem pra esse tipo de empreitada ou foi modificado para algum conjunto de cambio/mtoor especifico? A suspensão do chevas seria dificil de adaptar? Se puder me mande um email.

eulen@bol.com.br

casalfeliz - Março 19, 2009

Eulen,

Não deixe seus sonhos passarem, se queres construir um Locost, comece hoje. Encomende os tubos e comece a cortar e soldar. Com 250 reais de tubos você faz o chassi, e aí não tem mais volta, você vai ver o carro na sua frente e não vai mais querer parar. Meu projeto ficou paralizado porque me mudei para São Paulo por conta do trabalho e não tenho mais garagem para construir o carro. Assim que puder vou retomã-lo. Como não posso fazer o meu, vou ajudar outros a fazerem os seus. Compre um chevette num leilão do Detran, e depois ponha um AP nele. Você vai querer um diferencial mais longo porque o chevette ja é um motor girador (6000 rpm) e vai ser difícil fazer ele girar mais sem quebrar. Aps preparados giram alto também, mas como o carro é muito leve, vai ter torque de sobra para acelerar o carro com uma transmissão mais longa, a não ser que você esteja preparando um carro de arrancada. A suspensão tem que ser feita, adaptar a do chevette dá mais trabalho que fazer. Boa Sorte!
Gustavo

6. Loyo - Junho 25, 2008

Olá, obrigado pelo comentário sobre o meu projecto
http://loyo-seven-locost.blogspot.com/
Realmente o seu Blog está muito Bom.
Já agora convido a visitar e participar com a sua experiência no recem criado Kit Car Portugal
http://kit-car-portugal.forumeiro.com/index.htm
Um abraço
Loyo

7. Sergio - Maio 19, 2008

Boa noite. Li que estava de saida de floripa querendo vender as pecas de chevette. Ou ja vendeu….
Obrigado

8. Jackson - Fevereiro 14, 2008

Aqui é Jackson! São Paulo. Amante do Seven e, após terminar meu projeto atual vou meter a mão e construir o meu Seven – Locost. Vamos trocar figurinhas meu caro amigo Gustavo? e para os amigos dos amigos serve também o contato! helicoptero2000@hotmail.com Se estiver de mudança pra São Paulo – POR FAVOR : CONTE COMIGO!! Forte abraço chefe!

9. Marcos Milhomem - Fevereiro 7, 2008

Olá Gustavo !!!

Tudo beleza ?
Meu nome é Marcos Milhomem. Tambem sou designer como vc e estou construindo o meu locost tambem ! rs
Vamos bater um papo ? trocar idéias ? !

Se tiver tempo dê uma olhadinha no meu Orkut – Marcos Antonio Marinho Milhomem. Creio que vaio gostar . . .

Grande abraço

Marcos Milhomem