O Doador
Chama-se de doador um carro cujas peças são utilizadas para construir outro. Os projetos de carros como o Locost se baseiam, em geral, em um doador único ou principal de peças. Por que? Porque é muito mais barato comprar um carro inteiro no ferro velho do que comprar todas as peças separadas. No caso
do Sierra ou Escort, utilizado no projeto original do Locost, há várias opções possíveis de motorização, inclusive a substituição do original por um Zetec, mais potente. Mas na verdade, o que importa no doador é a compatibilidade entre bitola e entreeixos do doador e do carro a ser construído. Principalmente por causa dos ângulos de Ackermann e do tamanho do eixo traseiro, que define a bitola. Fora isto, qualquer combinação de motor e caixa de tração traseira pode ser usada. Eu, pessoalmente, estou inclinado a usar caixa de chevette e motor AP,
com uma flange de adaptação que já existe no mercado. A caixa de chevette é barata e robusta, e o motor AP é o melhor compromisso entre desempenho, robustez e preço no Brasil. Do chevette ainda vou usar freios, mais alguns acessórios, e talvez o sistema elétrico. Há alguns problemas de montagem, por causa da inclinação do motor, mas nada que não se resolva com criatividade e um pouquinho de esforço. Talvez haja interferência do carburador com o chassi, mas acho que o coletor de admissão doEscort 1.8 ou 2.0 (motor AP) pode resolver isso, já que ele é feito para um espaço mais reduzido no cofre do motor, por causa do layout transversal.
Por que Chevette?
Se você der uma olhada nas dimensões originais do Lotus Seven, verá que são muito similares ao do Chevette. Além disso, o layout do motor é o mesmo: motor dianteiro e tração traseira. A bitola sendo similar, e o entreeixos também, significa que o ângulo de ackermann será compatível no novo carro. Entretanto, o Chevette tem uma particularidade que deve ser levada em conta. Sua suspensão traseira não é um “four link” como a do Locost, ele utiliza uma barra de torque,
com dois braços tensores nas extremidades do eixo. Assim, seu eixo cardã possui apenas uma cruzeta. A adaptação não é difícil, já que o diferencial do Chevette é o mesmo, internamente, que alguns modelos do Opala 4 cilindros. Ainda não desmontei o meu para procurar as peças, mas é o próximo passo, depois de arrancar os suportes originais das molas e amortecedores. Notem que a barra de torque está presa solidariamenteà carcaça do diferencial. O tubo de torque tem de ser retirado, e o eixo cardã deve ser alongado para alcançar o diferencial. Além disso, deve-se soldar outra cruzeta em sua extremidade. A relação final também deve ser trocada, já que a original do Chevette é muito curta. A do 1.4, por exemplo, é uma 4.1:1, muito curta, adequada para o motor original, que gira alto. Num carro mais leve, com um motor mais potente, a relação final pode ser bem mais longa. Uma sugestão é a relação da Chevy com câmbio automático, 3.07:1. A suspensão dianteira não pode ser adaptada inteiramente ao Locost, já que o chassi deste carro é muito estreito.
Poderia se adaptar o agregado inteiro, mas isto provavelmente não seria muito prático, já que o agregado, além de pesado e volumoso, acaba com a beleza da suspensão do Locost. Mesmo assim, pode-se usar os pivôs, e o conjunto de direção completo. Além, é claro, dos freios. Estou desenvolvendo um desenho para a suspensão do carro, mantendo o centro de rolamento do projeto original. Assim que o desenho estiver pronto, posso colocá-lo online se houver interesse.
Em breve, fotos e mais informações



O motor AP é muito robusto, ou seja, suporta muita preparação sem quebrar, basicamente. Quando se usa alcool, pode-se exagerar na taxa de compressão sem medo, e esta é a melhor e mais barata forma de se obter potência. Além disso, o AP suporta muito giro, e é barato. Um motor DOHC pode ter desempenho potencial maior, mas vai ser difícil arrumar um motor tão barato e tão confiável. E se faltar potência, basta colocar um turbo…
Gustavo
porque o motor ap é melhor por favor poderia me informar tudo desse motor
Gostei de mais, mais vc não teria uma hitória sobre suspensão de automoveis, como veio surgi e sua evolução?
Gustavo,
Parabéns pela página!. Acho que vc fez boas escolhas. O Chevete é um ótimo doador. O problema do diferencial, não será difícil de resolver. Não é complicado retirar o torque tube. O Paulo Parra, do grupo de e-mails fez isso há alguns anos. Outra opção é utilizar um diferencial de Opala, reduzido na bitola, operação que empresas especializadas em eixos realizam. A vantagem é que vc pode utilizar peças do O[ala 6 cc, capazes de aguentar o torque de um AP preparado.
Abraços,