Projeto Rio 3.3

O curso de construção de barcos vai ter uma novidade. Estou desenvolvendo um projeto novo para apresentar no curso de Niterói, e que em breve estará disponível para compra também (mas os inscritos no curso recebem o projeto sem custo nenhum). O Rio 3.3, como estou denominando-o por enquanto, é um dingue de 3,3m de comprimento, cerca de 1,2m de boca, com fundo em V e espelho de proa. Visualmente lembra o famoso Mirror Dinghy, um barco muito popular na Inglaterra, onde tem sua classe de regatas e uma flotilha numerosa.

Com suas dimensões, ele permite que dois adultos velejem com segurança. á muitas possibilidades de plano vélico, mas provavelmente o plano padrão vai incluir uma vela grande e uma buja. Possivelmente uma armação Sliding Gunter, que usa uma verga (como uma carangueja), só que quase vertical, então na prática a vela é uma Marconi. A vantagem é que o mastro fica curto, embora a vela montada seja alta. Desmontadas, as peças da armação são do tamanho do casco, e podem ser facilmente acomodadas junto com ele no teto de um carro ou numa carretinha. Outra opção que será incluída no projeto é a possibilidade de desmontagem. Na construção, você poderá decidir por fazer o casco em duas peças que podem ser parafusadas. Assim, é possível guardar o casco em pé na sua garagem.

O projeto está quase pronto, mas até lá apresento alguns esboços com a concepção geral do barco.

Estabilidade: aprofundando alguns conceitos básicos

Quando o assunto é vela, estabilidade é um conceito muito utilizado. A noção mais comum é de que estabilidade nunca é demais. Quanto mais estabilidade, melhor. Será? Os veleiros mais marinheiros são os mais estáveis? Um catamarã é mais estável do que um monocasco? O que é estabilidade, afinal?

Estabilidade (vamos falar aqui de estabilidade transversal) é a tendência que um casco tem de se manter na posição vertical ou de retornar a ela quando alguma força produz um adernamento do casco. Em veleiros, Leia o resto deste post

GP 28 – O Jipe do Mar

Recentemente desenvolvi um projeto de uma lancha para pesca artesanal. Associamos a pesca artesanal, normalmente, àqueles pesados barcos de madeira maciça, construídos em estaleiros tradicionais. São barcos caros, já que a madeira de lei está cada vez mais cara (e quando não está, é quase certo que tenha sido extraída ilegalmente). Apesar de toda a admiração e respeito que tenho a carpintaria  naval tradicional, este tipo de construção não é ideal para barcos pequenos. Resulta em muito peso e em geral pouca eficiência. Estruturalmente, peso demais também é um problema, especialmente se o dimensionamento das estruturas não for bem feito (infelizmente, em geral, não é). Barcos assim costumam fazer água o tempo todo, exigem permanente manutenção e são lentos.

Quando comparamos a nossa pesca artesanal com, por exemplo, a pesca artesanal de lagostas da costa do Maine, nos Eua, percebemos a diferença. Lá eles usam os já lendários Lobster Boats, barcos com casco de semi-planeio (o que quer que isso signifique, :)), são rápidos e eficientes. Artesanal é Leia o resto deste post

Sonhar, construir, velejar!

“De um lado a amplidão, as ondas, os ventos e os relâmpagos, as tempestades; do outro, um homem. De um lado o mar, do outro uma mente humana; de um lado o infinito, do outro, um átomo.”

Victor Hugo – Trabalhadores do Mar

Não sei de onde vem o fascínio do mar. A praia é apenas um porto. A vontade mesmo é navegar rumo ao horizonte sem fim. Ao leme, fazemos parte de uma antiga sociedade secreta, que compartilha os mesmos saberes há mais de 5 mil anos. No mar a tecnologia não tem valor algum se não estiver lastreada pelo conhecimento tradicional da navegação. Talvez isso, talvez o isolamento, talvez o silêncio. A vista de terras novas após uma travessia, talvez a relação única com a natureza. Um barco sempre foi mais que um meio para um fim. Mas também não é um mero objeto de desejo como um carro.

O fato é que mais e mais pessoas estão perdendo o medo e Leia o resto deste post

Novos cursos de construção de barcos

Pessoal: atenção para os novos cursos de construção de barcos que estamos organizando para este ano:

  • Curitiba – curso de stitch-and-glue na Chácara Flor e Ser, dias 20 e 21 de maio, mais informações aqui e na nossa página no Face.
  • Niterói – curso em Niterói, na segunda quinzena de julho. Será um curso mais longo, onde será construído um dingue de 3m para motor, remo e vela.
  • Florianópolis – ainda no primeiro semestre vamos tentar organizar um novo curso em Floripa. Se você tem interesse, entre em contato o quanto antes.
  • Porto Alegre – no segundo semestre, em data a definir. Caso tenha interesse deixe seu contato no formulário do site Projetos de Veleiros (aqui).

O curso de Curitiba em breve terá inscrições abertas, você pode conhecer o programa e fazer sua pré-inscrição na página de cursos do site Projetos de Veleiros.

analisando o projeto

Criando uma cultura de construção de barcos no Brasil

Conversando recentemente com Ricardo Lancelotti sobre construção de barcos e outros assuntos, passamos obrigatoriamente pelo tema da cultura de autoconstrução no Brasil, ou na falta dela, e seus motivos. Viemos de uma cultura escravocrata que despreza o trabalho manual, visto como indigno, e por outro, de uma legislação que deriva desta mesma cultura, onde toda iniciativa de autoconstrução é desprezada por meio de uma burocracia que na prática proíbe a iniciativa e a criatividade dos construtores artesanais. Um dos participantes do curso de São Paulo deu um depoimento perfeito: “no Brasil, se você construir um avião, pega 5 anos de cadeia. Se construir um carro, não tem como licenciar. Só sobraram os barcos.”

Então o que você está esperando? Há projetos, cursos, e materiais de custo bem acessível para você construir seu barco hoje. Com as modernas resinas epóxi, que tem um custo bastante acessível, e compensados navais,é possível construir veleiros, canoas, caiaques, SUPs, lanchas, trawlers, catamarans, trimarans, houseboats, de praticamente qualquer tamanho, desde um bote de 2m, feito com duas chapas de compensado, até barcos de 50 pés, usando a técnica Stitch-and-Glue.

Começa agora a temporada de construção de barcos, vamos lá! Deixe seu comentário e compartilhe seu sonho de construir um barco.

Curso de Construção de barcos – São Paulo

Em Março teremos um novo curso de construção de barcos usando o método Stitch-and-glue. Será São Paulo (capital), nos dias 25 e 26 de março (sábado e domingo). O curso terá um total de 19 horas, onde os participantes vão aprender as principais técnicas para construir barcos usando o método “costure-e-cole”, um método que hoje é considerado a maneira mais rápida, barata e ecológica de construir barcos, e é ideal para o amador que não tem experiência com a marcenaria naval tradicional.

Na página de Cursos do site http://www.projetosdeveleiros.com.br você poderá fazer sua pré-inscrição. As vagas são limitadas então não deixe para amanhã, Se você  fez sua pré-inscrição até o dia 5/03, recebeu um email solicitando confirmação de seu interesse no curso. Estes terão prioridade nas vagas. Caso a demanda seja superior as vagas do curso, estudaremos a possibilidade de um novo curso em data próxima.

Aguardamos seu contato!

Novos cursos de construção de barco em São Paulo e Rio de Janeiro

Com o sucesso do curso de construção de barcos em Stitch-and-glue de Lins (dezembro de 2016) e Grande Florianópolis (fevereiro de 2017), estou anunciando que em março teremos um curso em São Paulo (data e local a definir) e em julho um curso em Niterói, RJ (local definido, data a confirmar). Visite a página http://projetosdeveleiros.com.br/cursos/ para conhecer o programa do curso e fazer sua pré-inscrição. Participantes pré-inscritos terão prioridade nas vagas.

img-20170218-wa0012

Se você gostaria de sediar um curso em sua cidade, em sua casa ou empresa, entre em contato. Anfitriões tem benefícios especiais. Saiba mais entrando em contato. Estou procurando um parceiro para sediar o curso de São Paulo, e pretendo realizar cursos este ano no Rio Grande do Sul e em Curitiba. Outras cidades podem ser incluídas de acordo com o número de interessados, por isso, se você tem interesse em ter um curso em sua cidade, divulgue entre seus amigos. Agora estamos no Facebook, conecte-se conosco para ficar atualizado com os novos cursos, projetos em desenvolvimento, e outros artigos.

Quanto custa construir um barco em casa?

Pequeno Príncipe 135 sendo construído no RJ. Simples, fácil e barato.

Pequeno Príncipe 135 sendo construído no RJ. Simples, fácil e barato.

Há uma idéia difundida de que barco é coisa de gente rica ou ao menos bem de vida. E que construir barcos é um hobby de pessoas que tem além de dinheiro, muito tempo. Mas, felizmente, isto está mudando. A cultura do do it yourself (DIY), ou “faça você mesmo”, está ganhando força no Brasil, e cada vez mais pessoas estão construindo barcos em casa. E sem gastar muito.

E quanto custa fazer seu barco em casa? Bom, obviamente depende do barco, mas na maioria dos casos custa bem menos do que comprar um barco pronto, mesmo um usado. É natural que seja assim, já que você não vai pagar pela mão de obra. Porém, não se iluda. Construir um veleiro de 30 pés em casa não vai ser barato se você quiser fazer um strip-planking de cedro sobre cavernas de madeira de lei, com mastro de alumínio e catracas Harken, e por aí vai. Equipamento náutico é caro, e no Brasil, é absurdamente caro. Não só por ser importado, mas também porque, já que é coisa de rico, a idéia é meter a faca para arrancar a grana deles. E eles pagam, felizes da vida…

Mas nós que não nascemos em berço de ouro e gostamos do mar podemos ter acesso a excelentes barcos por uma fração do preço dos veleiros e lanchas que estão no Mercado Livre. Como? Bom, aí você precisa seguir um caminho diferente (sugestão de leitura: The Road Not Taken, de Robert Frost):

  • reduzir: quanto menor, menos material, e mais barato. Menor significa menos esforços na estrutura, o que também significa menor possibilidade de falha e quebra, menor custo de manutenção, possibilidade de rebocar, menor custo em marinas. Evgeny Gvozdev, um russo que deu a volta ao mundo num barco de três metros e meio que ele construiu na sacada de seu apartamento, disse, de seu barco: “barco grande, problemas grandes; barco pequeno, problemas pequenos. Velejei sem rádio, sem motor, sem gps, sem mulher, sem sexo, mas sem problemas”.
  • simplificar: um mastro é mais simples do que dois. Uma vela é mais simples do que duas. Uma buja sem catraca é mais simples que uma genoa 120% com uma catraca que compraria o material para fazer o Pequeno Príncipe 135 inteiro. Motor de popa é mais simples do que um motor inboard (e seu sistema de refrigeração, escape, pé de galinha, etc). Cana de leme é mais simples que roda de leme. Leme montado no espelho de popa é mais simples do que leme com eixo passante pelo casco. Simples, além de barato, é mais seguro.
  • voltar às velhas tradições: antigamente barcos eram feitos de madeira e armados com madeira e corda de cânhamo. Nada de mastros de alumínio com velas entralhadas, estaiamento de inox, enroladores de genoa. Uma vela lugger é incrivelmente simples, barata e orça melhor do que muita gente poderia imaginar. E no popa velas quadrangulares são sempre muito melhores do que as Marconi. Uma mastreação gaff rig pode ser feita todinha em casa, você só vai precisar comprar alguns moitões. Pensando bem, porque não fazê-los também?
  • fazer ao invés de comprar: Cunhos de madeira, moitões de madeira, mastros de aço ou madeira, estaiamento de aço galvanizado, vigias, tudo isso pode ser feito ao invés de comprado, e usando componentes e materiais disponíveis em lojas de ferragens. Para que cabos pré-estirados? Compre cordas de poliéster na loja de ferragens. Nas primeiras velejadas você vai ter que caçar adriças e escotas algumas vezes, mas depois de um tempo você vai ter ótimos cabos pós-estirados ;). Dá para fazer velas de lonaleve para barcos pequenos também.
  • recicle e reuse: compre velas usadas de veleiros maiores para fazer velas para o seu barco. Procure em ferro-velho, marinas e oficinas peças de outros barcos. Sempre tem um que foi a pique e tem peças de ferragem disponíveis. Fique atento. Aquela casa velha de madeira pode ser demolida semana que vem, e vai ver ela foi feita de araucária há 50 anos. Madeira boa para barcos de onde você pode tirar toda a madeira bruta para seu projeto sem gastar nada ou quase nada. Novo, mesmo, tem que ser o material do casco (basicamente compensado e epóxi).

Quanto custa fazer um barco então? Ora, depende de muitos fatores, mas o Pequeno Príncipe 135 pode ser feito com menos de 5 mil reais, o HB 210 com menos de 15 mil reais. Com 5 mil reais, você consegue comprar qual carro? E qual barco?

Curso de Construção de Barcos em Florianópolis

logo-redeleaselogoblacklogo-redelease

Data: 17 a 19 de Fevereiro de 2017

Local: fábrica da Summer Rack, em Biguaçu (Grande Florianópolis)

Em fevereiro teremos uma nova edição do curso de construção de barcos em stitch-and-glue, desta vez na Grande Florianópolis, em Biguaçu (Balneário São Miguel, ao lado da BR 101, acesso facílimo).

Para se inscrever neste curso, clique AQUI.

Durante o curso vamos construir um pequeno barco, um bote de apoio de pouco mais de 2m de comprimento, mas que vai nos permitir experimentar todo o processo de construção Stitch-and-Glue, desde o desenho das peças no compensado, corte, costura com braçadeiras, filetagem e colagem com fibra de vidro, laminação de fibra de vidro no casco, fixação de estruturas e anteparas, entre outras.

O objetivo do curso é dar ao construtor iniciante as ferramentas para que ele encare sem medo a construção de qualquer barco em compensado naval projetado para Stitch-and-glue, de até 26 pés (a partir deste tamanho ainda é possível construir em S&G, mas é preciso conhecer algumas técnicas adicionais).

Além disso, no curso vamos apresentar os materiais usados na construção naval, e como devem ser usados: compensados navais (tipos, espessuras, composição), resinas (resinas, endurecedores, cargas, ferramentas) e fibras (tipos, gramatura, forma de aplicação, características). Além disso, você vai aprender a interpretar um projeto de barco e como transferir um desenho de curvas complexas para o compensado, com precisão, sem necessidade de moldes em escala natural.

Se você pensa em construir um barco, esta é uma oportunidade de ouro. Quer saber como é o curso? Leia mais sobre o curso que realizei em Lins, em dezembro do ano passado, clicando AQUI.

Saiba mais em: www.projetosdeveleiros.com.br

%d blogueiros gostam disto: