Acomodações de cruzeiro em veleiros pequenos

Este tema já foi tratado por mim em outros artigos, mas agora que estou começando um projeto de um veleiro pequeno com capacidade oceânica, o tema merece um pouco mais de aprofundamento. No processo de projeto, começamos por estabelecer metas para dimensões, desempenho, estabilidade, e um layout preliminar considerando, obviamente, o conjunto das especificações pretendidas. Depois começamos a desenhar e calcular deslocamento, estabilidade, etc, para verificar se nossas metas foram atingidas e corrigir os desenhos, ou rever as metas.

Portanto, um bom projeto começa com estimativas realistas, e um bom projetista quase sempre acerta elas nos primeiros desenhos. Modéstia à parte, apesar de não ter crescido entre marinas e velejadores, tenho conseguido sucesso nestas etapas iniciais de projeto. Mas voltando ao projeto, precisamos definir o que queremos, de forma realista. Não adianta tentar miniaturizar o layout de um veleiro de 30 pés, colocando banheiro, cozinha, beliches num barco de 20 pés, porque não se pode miniaturizar as pessoas. Também não se deve sacrificar espaços nobres para ter um banheiro fechado que vai ser usado por uma hora por dia, no máximo. Muito menos enfiar 4 beliches porque  ninguém vai colocar 4 beliches num veleiro de 20, 23 pés e tentar cruzar o Atlântico. Os 4 não vão chegar todos vivos, ou sãos, do outro lado.

Mas é difícil ser  realista quando se fala de sonho. Por isso, recomendo refletir sobre como o barco vai ser usado 80 % do tempo, para que o projeto reflita este uso. Ou seja, se você vai velejar mais nos fins de semana, sozinho ou a 2, e eventualmente vai levar alguns amigos para passear, um cockpit amplo e uma cabine para 2 são as alternativas adequadas. Não viaje: ninguém fica dentro da cabine de um veleiro pequeno durante uma velejada, só abaixo de muito Dramin. Quem dormir contigo numa cabine de 4 metros quadrados vai ser muito próximo, então um banheiro fechado talvez não seja um requisito, uma cortininha basta. Para velejadas longas, você precisa ter espaço para levar muita água, comida e equipamentos específicos (velas para tempo ruim, âncoras de mar, cabos, âncoras adicionais, eventualmente remos, velas sobressalentes, salvatagem, etc). Tudo isso traz exigências para o uso do espaço que um veleiro cheio de divisórias e espaços de circulação não permitem.

Sendo mais realista: você tem tempo e condições de, hoje ou num futuro próximo, largar o trabalho e ficar 6 meses ou um ano velejando: Se a resposta for não (quase sempre é) opte por um barco que vai te dar muitas alegrias nas suas velejadas ocasionais de férias e fins de semana. Porém, se você quer manter a perspectiva de passar além da linha do horizonte, robustez, lastro, estabilidade e espaço de carga são primordiais, mesmo num veleiro pequeno. Você provavelmente estará sozinho ou com uma pessoa com quem tem muita intimidade, então não precisa se preocupar com banheiro fechado, salão de refeições, ou pé direito. Será uma pessoa que tem sal nas veias como você, ou não estaria nessa roubada.

Por isso me baseei nos veleiros clássicos, do início do século passado, para inspirar este projeto. Amo suas linhas suaves e leves, gosto de seu layout espartano e utilitário, e da simplicidade da armação carangueja que dispensa catracas, perfis de alumínio caros, estaiamento complexo. Com baixo peso de casco e muito lastro, tem uma estabilidade surpreendente para seu tamanho, e aguentam ventos fortes sem precisar rizar. O perfil baixo e boca estreita permitem bom desempenho em orça, e apesar do comprimento pequeno na linha dágua ganham uns nós de velocidade adernados, pois o comprimento na linha dágua aumenta bastante.

Enfim, este veleiro traz alguns conceitos esquecidos para oferecer a possibilidade de se ter um veleiro com boas qualidades de navegação por um custo baixo de construção e operação, sem abrir mão da segurança e durabilidade. Em algum lado ele vai ter que pagar por estas qualidades, e será no layout interno. Mas é um sacrifício pequeno, considerando que o que estamos abandonando (banheiro fechado, mais beliches, pé direito alto) são itens que podem ser substituídos por soluções mais simples, temporárias, proporcionais ao tempo de uso que terão durante a vida útil do barco.

Em breve vou publicar alguns desenhos das propostas de layout interno. Aguardem!

Velhos conceitos, novas abordagens

Estou começando um novo projeto, um pequeno iate na faixa de 21 a 23 pés, inspirado pelos tabloid yachts e gentleman´s yachts dos anos 40, 50. A idéia é ter um barco compacto, leve e barato, mas marinheiro e seguro para pequenas travessias (e grandes também, se o velejador não se importar com o espaço exíguo e acomodações espartanas). Os veleiros antigos tinham algumas características interessantes que gostaria de resgatar: lastro generoso e boca estreita, layout interno objetivo e simples, armação carangueja.

23-profile

Esta combinação resulta (ao menos pretendo que resulte) em um veleiro com grande estabilidade, em especial em grandes ângulos de  adernagem, centro de esforço das velas baixo, facilidade de construção, robustez e baixo custo. O design está sendo inspirado em barcos como  o Dark Harbor 17 e outros gentleman´s yachts e tabloid yachts. A armação carangueja é simples de fabricar de forma caseira, com mastros de perfil redondo ou quadrado em aço ou madeira, e dispensa ferragens complicadas. Minha idéia iniial é usar uma armação knockabout, típica do litoral nordeste dos EUA, sem gurupés, com uma buja pequena fixa na proa. Esta armação tinha como objetivo evitar capturar redes de pesca em mar agitado (quando o gurupés mergulhava nas ondas), mas também tem a vantagem da simplicidade e facilidade de manejo.

Porém, diferentemente dos veleiros de antigamente, será construído usando o método stitch-and-glue, que oferece rapidez e facilidade de construção, dispensa muita madeira bruta (e cara), e resulta em cascos muito resistentes e leves. Em breve vou publicar alguns desenhos, e também estou abrindo espaço para sugestões de layout interno e inclusive de nome deste barco.

Gustavo Dantas

Um novo veleiro na prancheta, e por um bom motivo

Recentemente recebi um email de Said Najar, me convidando a apoiar um projeto de promoção de artesanato brasileiro no Caribe, com uma abordagem diferente e interessante: levar, de veleiro, o macrame que ele habilmente produz, e, uma vez estabelecendo conexões com lojas de artesanato das diversas ilhas caribenhas, estimular a produção brasileira deste artesanato através de oficinas em comunidades pesqueiras  litorâneas. Bom, o projeto pode ser melhor explicado pelo seu criador (clique aqui).

Gostei da ideia, e sugeri a Said que ao invés de comprar um veleiro ele construísse, um, cujo projeto começarei a desenvolver agora, dentro das especificações abaixo:

  1. comprimento total máximo de 23′;
  2. menor custo possível;
  3. capacidade de navegação oceânica;
  4. facilidade de construção e operação;
  5. boa capacidade de carga;
  6. beliches para 2.

Um belo desafio, mas plenamente possível. A partir de hoje começo a desenvolver este projeto, que sera divulgado no blog e no site http://www.projetosdeveleiros.com.br.

perfil - detalhes do projeto

perfil – detalhes do projeto – estou pendendo para um leme apoiado no espelho de popa…

Os primeiros esboços revelam uma preferencia pessoal minha que quem conhece o projeto Pequeno Principe ja sabe: adoro o desenho dos veleiros clássicos. Por diversos motivos este desenho em particular oferece muitas vantagens e qualidades. Futuramente falarei sobre isso em detalhes.

O veleiro remete aos gentleman’s yachts dos anos 30, mas optei por casco em V e construção stitch-and-glue para reduzir custo e tempo de execução. Outros detalhes podem ser vistos nos esboços. Como se trata de um projeto em desenvolvimento, esta aberto ao apadrinhamento. Se você tem interesse em ajudar entre em contato!

Visitem também o site de Said para saber mais:

http://projetomarcate.blogspot.com.br/

Barco casa: novidades e fotos

O HB 210 em breve vai estar na água! O primeiro destes barcos-casa em breve vai estar navegando. Veja as primeiras fotos publicadas deste protótipo. Construído em compensado naval e epóxi pelo método stitch-and-glue por Carlos Castro (RS), prima pela facilidade construtiva apesar de seu tamanho (6,4m).

Novo site dos Projetos de Veleiros!

Acabei de fazer uma reformulação completa no site www.projetosdeveleiros.com.br. Agora acredito que vai ficar mais fácil encontrar o que você procura. Melhor ainda, você pode acessar o site no smartphone, de qualquer lugar! Estamos desenvolvendo mais dois projetos novos, entre eles  um catamaran de 21 pés, de baixo custo, alto desempenho e ótimo para passeios ou crueiro. Também estou trabalhando num workboat 28 pés de motor central. Inicialmente sera projetado numa configuração para pesca artesanal de lagosta e peixes ornamentais, para um cliente do Espirito Santo. Mas seu layout permite que seja usado em diversas atividades, como pesca de rede, pesca esportiva, mergulho, passeios, transporte de passageiros e carga, e como barco de serviço para marinas e clubes. O desenho do casco privilegia o uso em mar aberto, e a configuração de motor central permite muitas opções de baixo custo e consumo. Se você tem interesse neste barco entre em contato.

Visite o novo site hoje mesmo!

Projetos de Veleiros

Promoção de Natal – 30% de desconto em projetos

Estou oferecendo 30% de desconto para compra do projeto do Houseboat 21 e do Pequeno Príncipe 135. Trata-se de uma forma de estimular os apaixonados a não desistir de seu sonho por conta de uma crise passageira.

Baixe o plano de estudos do projeto que lhe interessou e entre em contato.

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Plano de estudos do Barco-casa -baixe aqui!

 

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Clique no link abaixo para baixar o plano de estudos gratuito do HB210, o barco-casa compacto de baixo custo. No plano de estudos você vai encontrar uma breve descrição do projeto, layout, e uma lista de materiais que lhe permitirá fazer uma estimativa de custos.

Plano de Estudo Houseboat

Como aconteceu com o PP 135, uma versão preliminar vai ser oferecida, e quem adquirir o projeto nesta fase pode solicitar a personalização do layout interno, sem custo adicional. Saiba mais entrando em contato.

Aguarde, em breve mais novidades!

Novo plano de estudos do PP 135

Baixe agora o novo plano de estudos do PP 135, o Pequeno Principe. O plano de estudos apresenta o veleiro, suas caracteristicas, metodo construtivo e custo estimado para construir. Baixe agora clicando no link abaixo:

Plano de Estudo PP135

O plano de estudos tambem tem o custo do projeto, e meus contatos caso voce tenha alguma duvida.

Depoimento: A dificuldade de se morar num barco-casa:

Segue abaixo o depoimento de um leitor, que mora num barco-casa no Rio de Janeiro:

Em relação aos houseboats, existem dificuldades no Brasil para se morar num houseboat. Em muitos lagos e represas essa pratica é proibida. Verdade que com tantos lagos e represas o nosso pais tupiniquim acha que essa medida evita a criação de favelas flutuantes e consequente poluição dos mananciais. Fato é que não existe lei que proíba  mas por experiência própria te digo: muitas são as pressões e ameaças  que se sofre. Eu construí um à margem da lagoa de Araruama RJ, / por 4 metros com gerador e todo conforto de uma casa. Consegui flutuar pela lagoa por 3 meses e logo deu até policia. Só me permitiram ficar apoitado na margem da lagoa próximo da casa de um amigo cujo terreno dava fundos para a lagoa.

Um depoimento contundente. Países modernos regulamentam e incentivam a ocupação de parte de suas águas com moradias permanentes ou temporárias. Não agridem a costa como casas construídas a beira-mar, são mais eficientes (consumo de água e eletricidade), com coleta e tratamento apropriado de esgoto oferecem o mesmo impacto ambiental de residencias “terrestres”, e são também uma forma de fugir da especulação imobiliária. Talvez ai resida a falta de incentivo dos governos…

Bom, aguardo os comentários…

Barco-casa – Por que existem tão poucos?

Surpreende que um pais com 8 mil quilômetros de costa, centenas de grandes rios navegáveis, e dezenas de represas gigantescas tenha tão poucos barcos. Nos EUA em particular são comuns os “houseboats”, barcos-casa, que servem de moradia permanente ou barcos de passeio. Houseboats são muito confortáveis para seu tamanho, normalmente são barcos com casco de fundo chato, motores de baixa potencia, e muitos construidos artesanalmente.

Este tipo de barco-casa normalmente tem formas bem “quadradas” e são fáceis de construir, e dependendo do tamanho seu custo também fica bem acessível.

Quando sugeri o projeto de um houseboat de 6,4m, minha ideia era uma embarcação simples de construir, barata, equipada com um motor de popa de 6 a 25hp, e com conforto para uma família de 4 pessoas, com banheiro fechado, cozinha espaçosa, boas acomodações para pernoite, e pe direito de 1,80m, suficiente para a maioria dos brasileiros.

Sugeri como material o compensado naval, montado pelo método stitch-and-glue. O espaço proporcionado pelo desenho do barco permite muitas variações de layout, e também espaço para múltiplas atividades a bordo, como mergulho, pesca, entre outras.

Visite o site www.projetosdeveleiros.com.br para ver como anda o projeto. Se tiver interesse entre em contato para saber mais.

 

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