Novos cursos de construção de barco em São Paulo e Rio de Janeiro

Com o sucesso do curso de construção de barcos em Stitch-and-glue de Lins (dezembro de 2016) e Grande Florianópolis (fevereiro de 2017), estou anunciando que em março teremos um curso em São Paulo (data e local a definir) e em julho um curso em Niterói, RJ (local definido, data a confirmar). Visite a página http://projetosdeveleiros.com.br/cursos/ para conhecer o programa do curso e fazer sua pré-inscrição. Participantes pré-inscritos terão prioridade nas vagas.

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Se você gostaria de sediar um curso em sua cidade, em sua casa ou empresa, entre em contato. Anfitriões tem benefícios especiais. Saiba mais entrando em contato. Estou procurando um parceiro para sediar o curso de São Paulo, e pretendo realizar cursos este ano no Rio Grande do Sul e em Curitiba. Outras cidades podem ser incluídas de acordo com o número de interessados, por isso, se você tem interesse em ter um curso em sua cidade, divulgue entre seus amigos. Agora estamos no Facebook, conecte-se conosco para ficar atualizado com os novos cursos, projetos em desenvolvimento, e outros artigos.

Quanto custa construir um barco em casa?

Pequeno Príncipe 135 sendo construído no RJ. Simples, fácil e barato.

Pequeno Príncipe 135 sendo construído no RJ. Simples, fácil e barato.

Há uma idéia difundida de que barco é coisa de gente rica ou ao menos bem de vida. E que construir barcos é um hobby de pessoas que tem além de dinheiro, muito tempo. Mas, felizmente, isto está mudando. A cultura do do it yourself (DIY), ou “faça você mesmo”, está ganhando força no Brasil, e cada vez mais pessoas estão construindo barcos em casa. E sem gastar muito.

E quanto custa fazer seu barco em casa? Bom, obviamente depende do barco, mas na maioria dos casos custa bem menos do que comprar um barco pronto, mesmo um usado. É natural que seja assim, já que você não vai pagar pela mão de obra. Porém, não se iluda. Construir um veleiro de 30 pés em casa não vai ser barato se você quiser fazer um strip-planking de cedro sobre cavernas de madeira de lei, com mastro de alumínio e catracas Harken, e por aí vai. Equipamento náutico é caro, e no Brasil, é absurdamente caro. Não só por ser importado, mas também porque, já que é coisa de rico, a idéia é meter a faca para arrancar a grana deles. E eles pagam, felizes da vida…

Mas nós que não nascemos em berço de ouro e gostamos do mar podemos ter acesso a excelentes barcos por uma fração do preço dos veleiros e lanchas que estão no Mercado Livre. Como? Bom, aí você precisa seguir um caminho diferente (sugestão de leitura: The Road Not Taken, de Robert Frost):

  • reduzir: quanto menor, menos material, e mais barato. Menor significa menos esforços na estrutura, o que também significa menor possibilidade de falha e quebra, menor custo de manutenção, possibilidade de rebocar, menor custo em marinas. Evgeny Gvozdev, um russo que deu a volta ao mundo num barco de três metros e meio que ele construiu na sacada de seu apartamento, disse, de seu barco: “barco grande, problemas grandes; barco pequeno, problemas pequenos. Velejei sem rádio, sem motor, sem gps, sem mulher, sem sexo, mas sem problemas”.
  • simplificar: um mastro é mais simples do que dois. Uma vela é mais simples do que duas. Uma buja sem catraca é mais simples que uma genoa 120% com uma catraca que compraria o material para fazer o Pequeno Príncipe 135 inteiro. Motor de popa é mais simples do que um motor inboard (e seu sistema de refrigeração, escape, pé de galinha, etc). Cana de leme é mais simples que roda de leme. Leme montado no espelho de popa é mais simples do que leme com eixo passante pelo casco. Simples, além de barato, é mais seguro.
  • voltar às velhas tradições: antigamente barcos eram feitos de madeira e armados com madeira e corda de cânhamo. Nada de mastros de alumínio com velas entralhadas, estaiamento de inox, enroladores de genoa. Uma vela lugger é incrivelmente simples, barata e orça melhor do que muita gente poderia imaginar. E no popa velas quadrangulares são sempre muito melhores do que as Marconi. Uma mastreação gaff rig pode ser feita todinha em casa, você só vai precisar comprar alguns moitões. Pensando bem, porque não fazê-los também?
  • fazer ao invés de comprar: Cunhos de madeira, moitões de madeira, mastros de aço ou madeira, estaiamento de aço galvanizado, vigias, tudo isso pode ser feito ao invés de comprado, e usando componentes e materiais disponíveis em lojas de ferragens. Para que cabos pré-estirados? Compre cordas de poliéster na loja de ferragens. Nas primeiras velejadas você vai ter que caçar adriças e escotas algumas vezes, mas depois de um tempo você vai ter ótimos cabos pós-estirados ;). Dá para fazer velas de lonaleve para barcos pequenos também.
  • recicle e reuse: compre velas usadas de veleiros maiores para fazer velas para o seu barco. Procure em ferro-velho, marinas e oficinas peças de outros barcos. Sempre tem um que foi a pique e tem peças de ferragem disponíveis. Fique atento. Aquela casa velha de madeira pode ser demolida semana que vem, e vai ver ela foi feita de araucária há 50 anos. Madeira boa para barcos de onde você pode tirar toda a madeira bruta para seu projeto sem gastar nada ou quase nada. Novo, mesmo, tem que ser o material do casco (basicamente compensado e epóxi).

Quanto custa fazer um barco então? Ora, depende de muitos fatores, mas o Pequeno Príncipe 135 pode ser feito com menos de 5 mil reais, o HB 210 com menos de 15 mil reais. Com 5 mil reais, você consegue comprar qual carro? E qual barco?

Curso de Construção de Barcos em Florianópolis

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Data: 17 a 19 de Fevereiro de 2017

Local: fábrica da Summer Rack, em Biguaçu (Grande Florianópolis)

Em fevereiro teremos uma nova edição do curso de construção de barcos em stitch-and-glue, desta vez na Grande Florianópolis, em Biguaçu (Balneário São Miguel, ao lado da BR 101, acesso facílimo).

Para se inscrever neste curso, clique AQUI.

Durante o curso vamos construir um pequeno barco, um bote de apoio de pouco mais de 2m de comprimento, mas que vai nos permitir experimentar todo o processo de construção Stitch-and-Glue, desde o desenho das peças no compensado, corte, costura com braçadeiras, filetagem e colagem com fibra de vidro, laminação de fibra de vidro no casco, fixação de estruturas e anteparas, entre outras.

O objetivo do curso é dar ao construtor iniciante as ferramentas para que ele encare sem medo a construção de qualquer barco em compensado naval projetado para Stitch-and-glue, de até 26 pés (a partir deste tamanho ainda é possível construir em S&G, mas é preciso conhecer algumas técnicas adicionais).

Além disso, no curso vamos apresentar os materiais usados na construção naval, e como devem ser usados: compensados navais (tipos, espessuras, composição), resinas (resinas, endurecedores, cargas, ferramentas) e fibras (tipos, gramatura, forma de aplicação, características). Além disso, você vai aprender a interpretar um projeto de barco e como transferir um desenho de curvas complexas para o compensado, com precisão, sem necessidade de moldes em escala natural.

Se você pensa em construir um barco, esta é uma oportunidade de ouro. Quer saber como é o curso? Leia mais sobre o curso que realizei em Lins, em dezembro do ano passado, clicando AQUI.

Saiba mais em: www.projetosdeveleiros.com.br

Construindo seu primeiro barco: escolha um projeto

Então você quer construir seu primeiro barco. Bom, como escolher o projeto adequado? É fácil a gente se empolgar com as muitas opções e acabar com um projeto que não sai da gaveta, ou nunca fica pronto. É difícil ser realista e pé no chão quando o assunto é sonho, mas dou  algumas dicas de interessantes primeiros projetos, e suas aplicações e dificuldades:

  1. Dingue ou bote simples: inclui desde um dingue de 2,2m de comprimento, como os que vamos fazer no curso de construção de barcos, até botes de pesca na faixa de 5m de comprimento. Barcos assim são versáteis, baratos de fazer, podem ser transportados com facilidade, e aceitam motor de popa, remo e vela, sem precisar de muita adaptação. Podem ser feitos em prazos de 2 a 5 semanas. Ideais para primeiros projetos devido a sua simplicidade, menor número de peças, menor custo. A experiência que você adquirir com ele vai te dar segurança para alçar vôos maiores.
  2. Veleiro pequeno (sugestão: Pequeno Príncipe 135): um veleiro de menos de 5m de comprimento total dispensa registro se usado em águas interiores. É relativamente fácil e barato de construir (custa ainda menos do que um veleiro usado de tamanho similar), pode ser rebocado numa carretinha, e ainda assim tem uma cabine para um casal dormir, e capacidade de carga para passeios e pequenos cruzeiros, com proteção em dias de chuva.
  3. Barco-casa: um pequeno barco casa de 6 metros permite comportar de 4 a 6 pessoas, ter pé-direito alto, banheiro fechado, cozinha espaçosa, e apesar do tamanho, é um barco fácil de construir porque a forma é muito simples. O fundo chato permite encostar na praia, e um motor de popa de 20 hp dá conta de empurrar o barco com tranquilidade. O HB 210 tem espaço de sobra para seu tamanho, e  um casal pode ficar longos períodos a bordo, e receber amigos durante o dia ou em eventuais pernoites.

Normalmente, existe sempre a opção de adquirir um plano de estudos, que tem informações sobre o barco que, embora não permitam que você o construa, permitem que você estime custo e complexidade de construção, e avalie a melhor opção. Tanto o PP135 quanto o HB 210 tem planos de estudos gratuitos baixáveis (clique nos links acima para baixar).  O projeto do dingue de 2,2m será entregue a todos os participantes do curso de construção de barcos, mas há diversos projetos similares na web, muitos gratuitos.

 

Curso de Construção de Barcos – Informações úteis

Se você está pensando em ir a Lins para o curso de construção de barcos Stitch-and-glue, aqui vão algumas informações úteis:

apoio:

logo-redelease Leia o resto deste post

Redelease é parceira do Curso de Construção de Barcos

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O Curso de Construção de Barcos  em Stitch-and-glue, que vai acontecer em Lins, de 16/12/2016 a 18/12/2016, tem apoio institucional da Redelease, uma das maiores empresas do setor de resinas e produtos para laminação de fibra de vidro. Além de uma linha completa de resinas (epóxi, poliéster, éster-vinílicas, entre outras) e adesivos estruturais, eles tem fibra de vidro (tecidos e mantas), e ferramentas e acessórios para Leia o resto deste post

Curso de Construção de Barcos – programa

Curso de Stitch and Glue – Construa seu barco em casa

Em dezembro estaremos iniciando uma rodada de cursos de construção de barcos pelo Brasil. O primeiro curso vai acontecer em Dezembro, na cidade de Lins (SP), a 440km da capital (260km de Londrina). A data prevista é do dia 16 de Dezembro (sexta-feira, a partir das 18:00h) a 18 de dezembro (domingo).  (ver mapa)

Programa do curso

Objetivo do curso:

O curso se destina a amadores que querem construir barcos de compensado-epóxi, pelo método Stitch-and-glue. O objetivo é ser um curso prático, onde os participantes vão colocar a mão na massa produzindo um barco durante o período do curso. Uma vez concluído, o curso dará aos participantes conhecimento teórico e experiência prática para construir qualquer barco de stitch-and-glue até o tamanho de 24 pés. Durante o curso, os participantes aprenderão como desenhar peças a partir de desenhos em escala, vão costurar, filetar, fibrar e selar o casco, e montar as principais peças de um barco de compensado naval: casco, trincaniz, anteparas, deck, entre outros elementos estruturais.

Duração e programa:

O curso tem duração de 19 horas, desenvolvido em 3 dias (um período de 3 horas e 4 períodos de 4 horas), com Leia o resto deste post

Curso de construção stitch-and-glue em dezembro

Em dezembro vou começar a fazer cursos presenciais de construção stitch-and-glue. Serão cursos de curta duração, um fim de semana, mas abordarão todos os aspectos da construção stitch-and-glue, e serão práticos, para os alunos colocarem a mão na massa, costurando, filetando e fibrando um casco de verdade.

Por ser um curso rápido, o barco será um pequeno dingue de compensado naval, de tamanho similar a um Optimist, mas sua construção envolverá todos os aspectos de um barco grande: costura do casco, filetagem das peças, aplicação da fibra de vidro nas emendas, montagem e fixação de peças estruturais, como anteparas, trincaniz e outras, e acabamento final.

O primeiro curso vai acontecer no interior de São Paulo, de 16 a 18 de dezembro (a data ainda vai ser definida), na cidade de Lins, no Centro-oeste do estado, a 440km da capital. O curso terá uma aula teórica e 4 aulas práticas onde os participantes vão poder aprender os aspectos mais desafiadores da técnica, se sentindo seguros para iniciar a construção de veleiros, lanchas e embarcações de diversos usos, de qualquer tamanho (até cerca de 24 pés. Acima disso o stitch-and-glue exige algumas técnicas adicionais de construção do casco).

Se você tem interesse em fazer o curso, entre em contato para receber informações  e reservar sua vaga. Em breve vou divulgar horários, local e forma de inscrição.

Visite www.projetosdeveleiros.com.br para se inscrever. As vagas são limitadas.

Velas do Pequeno Príncipe 135

Roberto Costa Sousa já esteve nas páginas deste blog algumas vezes. Ele construiu o primeiro Sztrandék do Brasil, e fez o vídeo da construção do PP 135 que publiquei recentemente.

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Ele é um artesão de longa data, e faz velas, capas, biminis e outros itens de velaria. Atualmente está concluindo as velas do protótipo do PP 135. Em breve vamos ter um barco velejando!

Se você quiser entrar em contato com ele, seu telefone (Whatsapp também) é: (48) 9992-3437.

Mestre Amilton e seus moitões artesanais de plástico

Jorge mora a beira mar no Maranhão, e tem um trimaran que ele mesmo construiu, o 3D, que tem muitas soluções artesanais de baixo custo, como um enrolador de genoa de peças de PVC, e um item que chamou minha atenção: moitões de plástico. O mais interessante é como estes moitões são feitos. Reproduzo aqui o relato de Jorge sobre seu amigo, mestre Amilton:

Observando muitas boias de plástico darem à terra, um amigo (Amilton) imaginou o que fazer com elas.

Estas boias são amarradas às grandes redes de pescas dos pesqueiros que estão dentro e fora do nosso mar territorial.  Os nós, que as unem às redes, expostos aos movimentos do mar, afrouxam e soltam.  As boias ficam à deriva e chegam as praias de Cururupu, litoral do Maranhão, onde moro. Os pescadores locais as recortam para usar como reservatório de água, como marcação das suas redes de pescas e boias de arinque.

Mestre Amilton as recolhe e recicla, criando e produzindo moitões usados pelos pescadores e embarcadiços locais. São resistentes, não sofrem a ação do sol e com preços bem abaixo (Na faixa de R$ 15,00 à R$ 35,00) dos mesmos encontrados no mercado.

Meu veleiro, o 3D é um trimaran com 6,60m de comprimento, 5,50m de boca e mastro de 9m. Apostei nestes moitões e não estou arrependido.

Durante os anos de 2012, 2013 e 2014 naveguei entre São Luís/Fortaleza, depois São Luis/ Belém, indo e voltando. Usei os moitões de um e dois gornes fabricados por ele e não me decepcionei.  Minhas viagens, para o Ceará, saindo do Maranhão e a volta de Belém para Cururupu-MA foram na época dos ventos gerais. Sabia que os ventos seriam muito fortes neste período e as correntes sempre contra, levantando um mar de “Deus Nos Acuda”. Sem nenhum problema, fui e voltei. Até hoje uso os mesmos moitões e não me arrependi da escolha.

Tive a chance de fazer alguns dos moitões com sua supervisão. Dá trabalho, mas é gratificante quando os vemos prontos.

Para iniciar os trabalhos, ele as corta no meio, depois com os diferentes moldes e um lápis copia o que vai ser cortado na boia. Os pedaços vão para o banho-maria e depois na prensa tira a curvatura da boia. Com uma faca no rubro, passamos entre as partes que vão ser coladas e elas aderem depois de estarem mole.

Esta parte é necessário ter uma habilidade que só se consegue fazendo e procurando o ponto correto de fusão do plástico, para não estragar as peças ou ficar fora de esquadro com a pressão que exercemos. Peças feitas, precisamos das carretilhas que são cortadas com uma serra de ferro e arredondadas na prensa com uma lima ou grosa curva. Fura-se no meio tanto da caixa do moitão como da carretilha.

Com um prego de ferro ou de inox colocamos a carretilha na caixa e batemos até arrebitar. Cortamos as partes  excedentes e damos o acabamento com lixa. Todo este procedimento é manual e precisamos de algumas ferramentas.

As fotos mostram o processo. Achei que valia a pena compartilhar porque mestre Amilton mostra como podemos unir criatividade e conhecimento para criar soluções de baixo custo, ecológicas, eficientes, marinheiras e duráveis. As soluções que desenvolveu para desempenar e soldar as peças de plástico são, do ponto de vista de engenharia, perfeitas, e ele faz isso sem eletricidade, sem auxílio de máquinas-ferramenta, usando apenas sua inteligência e a força de suas mãos.

 

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