Construindo seu primeiro barco: escolha um projeto

Então você quer construir seu primeiro barco. Bom, como escolher o projeto adequado? É fácil a gente se empolgar com as muitas opções e acabar com um projeto que não sai da gaveta, ou nunca fica pronto. É difícil ser realista e pé no chão quando o assunto é sonho, mas dou  algumas dicas de interessantes primeiros projetos, e suas aplicações e dificuldades:

  1. Dingue ou bote simples: inclui desde um dingue de 2,2m de comprimento, como os que vamos fazer no curso de construção de barcos, até botes de pesca na faixa de 5m de comprimento. Barcos assim são versáteis, baratos de fazer, podem ser transportados com facilidade, e aceitam motor de popa, remo e vela, sem precisar de muita adaptação. Podem ser feitos em prazos de 2 a 5 semanas. Ideais para primeiros projetos devido a sua simplicidade, menor número de peças, menor custo. A experiência que você adquirir com ele vai te dar segurança para alçar vôos maiores.
  2. Veleiro pequeno (sugestão: Pequeno Príncipe 135): um veleiro de menos de 5m de comprimento total dispensa registro se usado em águas interiores. É relativamente fácil e barato de construir (custa ainda menos do que um veleiro usado de tamanho similar), pode ser rebocado numa carretinha, e ainda assim tem uma cabine para um casal dormir, e capacidade de carga para passeios e pequenos cruzeiros, com proteção em dias de chuva.
  3. Barco-casa: um pequeno barco casa de 6 metros permite comportar de 4 a 6 pessoas, ter pé-direito alto, banheiro fechado, cozinha espaçosa, e apesar do tamanho, é um barco fácil de construir porque a forma é muito simples. O fundo chato permite encostar na praia, e um motor de popa de 20 hp dá conta de empurrar o barco com tranquilidade. O HB 210 tem espaço de sobra para seu tamanho, e  um casal pode ficar longos períodos a bordo, e receber amigos durante o dia ou em eventuais pernoites.

Normalmente, existe sempre a opção de adquirir um plano de estudos, que tem informações sobre o barco que, embora não permitam que você o construa, permitem que você estime custo e complexidade de construção, e avalie a melhor opção. Tanto o PP135 quanto o HB 210 tem planos de estudos gratuitos baixáveis (clique nos links acima para baixar).  O projeto do dingue de 2,2m será entregue a todos os participantes do curso de construção de barcos, mas há diversos projetos similares na web, muitos gratuitos.

 

Curso de Construção de Barcos – Informações úteis

Se você está pensando em ir a Lins para o curso de construção de barcos Stitch-and-glue, aqui vão algumas informações úteis:

apoio:

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Redelease é parceira do Curso de Construção de Barcos

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O Curso de Construção de Barcos  em Stitch-and-glue, que vai acontecer em Lins, de 16/12/2016 a 18/12/2016, tem apoio institucional da Redelease, uma das maiores empresas do setor de resinas e produtos para laminação de fibra de vidro. Além de uma linha completa de resinas (epóxi, poliéster, éster-vinílicas, entre outras) e adesivos estruturais, eles tem fibra de vidro (tecidos e mantas), e ferramentas e acessórios para Leia o resto deste post

Curso de Construção de Barcos – programa

Curso de Stitch and Glue – Construa seu barco em casa

Em dezembro estaremos iniciando uma rodada de cursos de construção de barcos pelo Brasil. O primeiro curso vai acontecer em Dezembro, na cidade de Lins (SP), a 440km da capital (260km de Londrina). A data prevista é do dia 16 de Dezembro (sexta-feira, a partir das 18:00h) a 18 de dezembro (domingo).  (ver mapa)

Programa do curso

Objetivo do curso:

O curso se destina a amadores que querem construir barcos de compensado-epóxi, pelo método Stitch-and-glue. O objetivo é ser um curso prático, onde os participantes vão colocar a mão na massa produzindo um barco durante o período do curso. Uma vez concluído, o curso dará aos participantes conhecimento teórico e experiência prática para construir qualquer barco de stitch-and-glue até o tamanho de 24 pés. Durante o curso, os participantes aprenderão como desenhar peças a partir de desenhos em escala, vão costurar, filetar, fibrar e selar o casco, e montar as principais peças de um barco de compensado naval: casco, trincaniz, anteparas, deck, entre outros elementos estruturais.

Duração e programa:

O curso tem duração de 19 horas, desenvolvido em 3 dias (um período de 3 horas e 4 períodos de 4 horas), com Leia o resto deste post

Curso de construção stitch-and-glue em dezembro

Em dezembro vou começar a fazer cursos presenciais de construção stitch-and-glue. Serão cursos de curta duração, um fim de semana, mas abordarão todos os aspectos da construção stitch-and-glue, e serão práticos, para os alunos colocarem a mão na massa, costurando, filetando e fibrando um casco de verdade.

Por ser um curso rápido, o barco será um pequeno dingue de compensado naval, de tamanho similar a um Optimist, mas sua construção envolverá todos os aspectos de um barco grande: costura do casco, filetagem das peças, aplicação da fibra de vidro nas emendas, montagem e fixação de peças estruturais, como anteparas, trincaniz e outras, e acabamento final.

O primeiro curso vai acontecer no interior de São Paulo, de 16 a 18 de dezembro (a data ainda vai ser definida), na cidade de Lins, no Centro-oeste do estado, a 440km da capital. O curso terá uma aula teórica e 4 aulas práticas onde os participantes vão poder aprender os aspectos mais desafiadores da técnica, se sentindo seguros para iniciar a construção de veleiros, lanchas e embarcações de diversos usos, de qualquer tamanho (até cerca de 24 pés. Acima disso o stitch-and-glue exige algumas técnicas adicionais de construção do casco).

Se você tem interesse em fazer o curso, entre em contato para receber informações  e reservar sua vaga. Em breve vou divulgar horários, local e forma de inscrição.

Visite www.projetosdeveleiros.com.br para se inscrever. As vagas são limitadas.

Velas do Pequeno Príncipe 135

Roberto Costa Sousa já esteve nas páginas deste blog algumas vezes. Ele construiu o primeiro Sztrandék do Brasil, e fez o vídeo da construção do PP 135 que publiquei recentemente.

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Ele é um artesão de longa data, e faz velas, capas, biminis e outros itens de velaria. Atualmente está concluindo as velas do protótipo do PP 135. Em breve vamos ter um barco velejando!

Se você quiser entrar em contato com ele, seu telefone (Whatsapp também) é: (48) 9992-3437.

Mestre Amilton e seus moitões artesanais de plástico

Jorge mora a beira mar no Maranhão, e tem um trimaran que ele mesmo construiu, o 3D, que tem muitas soluções artesanais de baixo custo, como um enrolador de genoa de peças de PVC, e um item que chamou minha atenção: moitões de plástico. O mais interessante é como estes moitões são feitos. Reproduzo aqui o relato de Jorge sobre seu amigo, mestre Amilton:

Observando muitas boias de plástico darem à terra, um amigo (Amilton) imaginou o que fazer com elas.

Estas boias são amarradas às grandes redes de pescas dos pesqueiros que estão dentro e fora do nosso mar territorial.  Os nós, que as unem às redes, expostos aos movimentos do mar, afrouxam e soltam.  As boias ficam à deriva e chegam as praias de Cururupu, litoral do Maranhão, onde moro. Os pescadores locais as recortam para usar como reservatório de água, como marcação das suas redes de pescas e boias de arinque.

Mestre Amilton as recolhe e recicla, criando e produzindo moitões usados pelos pescadores e embarcadiços locais. São resistentes, não sofrem a ação do sol e com preços bem abaixo (Na faixa de R$ 15,00 à R$ 35,00) dos mesmos encontrados no mercado.

Meu veleiro, o 3D é um trimaran com 6,60m de comprimento, 5,50m de boca e mastro de 9m. Apostei nestes moitões e não estou arrependido.

Durante os anos de 2012, 2013 e 2014 naveguei entre São Luís/Fortaleza, depois São Luis/ Belém, indo e voltando. Usei os moitões de um e dois gornes fabricados por ele e não me decepcionei.  Minhas viagens, para o Ceará, saindo do Maranhão e a volta de Belém para Cururupu-MA foram na época dos ventos gerais. Sabia que os ventos seriam muito fortes neste período e as correntes sempre contra, levantando um mar de “Deus Nos Acuda”. Sem nenhum problema, fui e voltei. Até hoje uso os mesmos moitões e não me arrependi da escolha.

Tive a chance de fazer alguns dos moitões com sua supervisão. Dá trabalho, mas é gratificante quando os vemos prontos.

Para iniciar os trabalhos, ele as corta no meio, depois com os diferentes moldes e um lápis copia o que vai ser cortado na boia. Os pedaços vão para o banho-maria e depois na prensa tira a curvatura da boia. Com uma faca no rubro, passamos entre as partes que vão ser coladas e elas aderem depois de estarem mole.

Esta parte é necessário ter uma habilidade que só se consegue fazendo e procurando o ponto correto de fusão do plástico, para não estragar as peças ou ficar fora de esquadro com a pressão que exercemos. Peças feitas, precisamos das carretilhas que são cortadas com uma serra de ferro e arredondadas na prensa com uma lima ou grosa curva. Fura-se no meio tanto da caixa do moitão como da carretilha.

Com um prego de ferro ou de inox colocamos a carretilha na caixa e batemos até arrebitar. Cortamos as partes  excedentes e damos o acabamento com lixa. Todo este procedimento é manual e precisamos de algumas ferramentas.

As fotos mostram o processo. Achei que valia a pena compartilhar porque mestre Amilton mostra como podemos unir criatividade e conhecimento para criar soluções de baixo custo, ecológicas, eficientes, marinheiras e duráveis. As soluções que desenvolveu para desempenar e soldar as peças de plástico são, do ponto de vista de engenharia, perfeitas, e ele faz isso sem eletricidade, sem auxílio de máquinas-ferramenta, usando apenas sua inteligência e a força de suas mãos.

 

Quero construir meu veleiro. Como começar?

No final da faculdade, quando estava fazendo meu TCC, eu tive contato com o mundo dos veleiros construídos em casa. Na época eu pesquisava a construção artesanal de barcos de pesca em estaleiros de ribeira em Florianópolis, e em minhas pesquisas na web foi inevitável topar com o Pilgrim 595, o Sztrandék, e outros. Descobri um Sztrandék que foi construído em Floripa mesmo, por Roberto Costa Souza, e fui visitá-lo.

Depois de contaminado, não teve como dar meia volta. E designer por formação e vocação, logo me vi projetando meu primeiro barco, o Pequeno Príncipe 135. Não foi da noite para o dia. Tive que fazer minha formação básica, conhecer a Leia o resto deste post

Como reduzir custo de construção de um barco?

Recebo muitos emails e comentários sobre idéias que as pessoas tem para reduzir custos num barco artesanal. Este é um assunto ao qual dou atenção. Acho que barcos bons não tem que ser caros. Antigamente se fazia barcos bons com o material que a natureza dava, não havia catracas, mastros de alumínio, nem dacron. Fibra de vidro, então, é coisa nova! E os barcos davam a volta ao mundo, sem motor, se GPS, sem rádio, sem saber a longitude.

não dá para ficar mais barato: pequeno, stitch-and-glue, feito em casa

não dá para ficar mais barato: pequeno, stitch-and-glue, feito em casa

Não precisamos ir tão longe. Temos a nossa disposição resinas, compensados navais, fibras de vidro, e muitos outros materiais que permitem fazer barcos confiáveis e bons por um custo acessível. Porém, sempre surgem ideias para tornar o sonho de um veleiro autoconstruído acessível a mais pessoas, através de soluções para reduzir ainda mais o custo de material. Hoje vou falar sobre um tema que volta e meia é comentado: usar resina poliéster em madeira. A resina poliéster é 3 vezes mais barata que a epóxi, e é usada para fazer barcos de fibra de vidro, então porque não usar?

A resina poliéster tem duas características que a tornam própria para se usar em cascos feitos a partir de moldes, e duas características que a tornam imprópria para usar sobre madeira (ou qualquer outro material, inclusive ela mesma): ao aplicar camadas sucessivas de resina num laminado de fibra de vidro, o crosslinking que ocorre no processo de cura faz com que toda a resina se torne um material só, reforçcado pela fibra em seu interior. Com isso é possível ter um casco de 6, 7mm num barco de 28 pés, e como pode ser feita sobre um molde, a produção de barcos é rápida e barata (se os barcos são caros, certamente não é por causa do custo de fabricação do casco, pode ter certeza). Porém, a resina poliéster não é um adesivo estrutural como a resina epóxi, e não deve ser usada em nenhum tipo de colagem secundária (colagem sobre superfícies de termofixos já curados, por exemplo, sobre um casco de resina poliéster). Por isso, anteparas de madeira em barcos de fibra são coladas com epóxi ou resina éster-vinílica (ou ao menos deveriam ser). Se você selar um casco de madeira com resina poliéster, estará cometendo dois erros: a resina poliéster não sela, pelo contrário, absorve água através de osmose e leva esta água para a madeira. O que sela um barco de poliéster é o gelcoat. Segundo, resina poliéster não cola na madeira, fica grudada pela pressão da contração da cura, e pode se soltar depois de impactos ou muitos ciclos de flexão do casco.

Uma ressalva pode ser feita: os barcos do Cabinho, como os Multichines, foram projetados para usar poliéster e fibra no seu exterior. Porém, se você analisar o projeto deles, verá que são cascos de fibra e poliéster com uma alma de madeira. O casco de madeira propriamente dito é fino (6mm), e o que lhe dá resistência é uma parede espessa de fibra-poliéster. Tanto que o deck e cabine são todos laminados e selados com epóxi. Comparando o custo de construção, acredito que seria mais barato fazer um casco de espessura maior (12 a 15mm) e laminar com uma camada fina (menos de 1kg/m2) de fibra-epóxi. Na época em que os Multichine foram projetados, a resina epóxi era muito mais cara e difícil de obter do que hoje, então as escolhas de projeto neste caso são compreensíveis.

Se você quer realmente reduzir custo sem sacrificar a durabilidade, recomendo as seguintes estratégias, que são muito mais eficazes:

  1. reduza o tamanho: um layout criativo e um projeto acertado para sua real necessidade pode fazer maravilhas para seu bolso. De longe é a estratégia mais razoável. Barcos pequenos são mais fáceis de fazer, mais baratos, e a sua manutenção também (marinas cobram por pé de comprimento total, com peso baixo você reboca e leva para casa, e não tem que raspar as cracas e repintar o fundo anualmente).
  2. reduza madeira bruta: a madeira anda pela hora da morte, a não ser a que é extraída ilegalmente. Faça um favor ao seu bolso e a Amazônia, escolha um projeto stitch-and-glue, que requer pouca madeira bruta.
  3. seja criativo na hora de armar: itens caríssimos em qualquer veleiro são mastro, catracas, ferragens em geral. Use uma armação tradicional como carangueja ou spritsail, você poderá fazer um mastro de madeira ou com tubos de aço ou alumínio de seção redonda, muito mais baratos. Cunhos de madeira, e uma armação que dispense catracas também vão ajudar.
  4. use compensados mais baratos: compensado naval de virolinha é metade do preço do de cedro, e é tão durável quanto. A perda de resistência mecânica pelo uso de madeiras inferiores pode ser compensada pelo aumento (pequeno) na espessura. O maior momento de inércia da chapa mais do que compensa a menor resistência da madeira. Toda a madeira deverá ser selada, por dentro e por fora, com epóxi, então a madeira não tem que ser aquela super resistente a água. A cola sim, que é fenólica, mas esta é a mesma em qualquer compensado naval, inclusive de pinus (ou no madeirite fenólico, que já vi ser usado em barcos com sucesso).
  5. reuse: casas antigas demolidas, móveis velhos, todos estes tem boas doses de madeira boa para quilhas, hastilhas, joelhos, rodas de proa, cunhos, verdugos. Seja um reciclador você também. Procure quem já construiu um barco e compre sobras de epóxi ainda próprios para uso.

E se você tem mais idéias que podem ajudar a reduzir custos, comente! Todos queremos saber!

Técnicas alternativas de construção

Recentemente tenho recebido questionamentos sobre métodos alternativos e de baixo custo para construção de barcos, como blocos de isopor fibrados, barcos com estrutura de isopor fibrada, etc. A idéia é eliminar o compensado e a resina epóxi, usando principalmente resina poliéster. Pega-se um bloco de isopor, lixa-se até dar a forma do volume que você quer, e se fibra, da mesma forma com que se faz uma prancha de surf. O método parece interessante para fazer um barco como um Laser, por exemplo, em uma peça só, e o isopor funciona como Leia o resto deste post

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